Postagens

Mostrando postagens de fevereiro, 2025

E se as coisas mudarem?

Se instaurassem uma ditadura HOJE, HOJE. Você estaria com medo? Você pensaria em onde esconder seus livros? Você teria medo de escrever em aplicativos no celular? Você pensaria em se proteger e aos que ama? Você deletaria todas as redes sociais para não ser morto ou torturado pelo que compartilhava? Pois é, essas coisas às vezes rodam minha cabeça. Não vivi a ditadura. Não passei pelo que meus pais passaram. Então só consigo imaginar o tipo de castração, falta de esperança, mas não senti. Imagina, 50 anos depois, com toda a tecnologia de vigilância que temos à disposição? É isso, não tem muito pra onde essa fala ir. Não sei bem como lidar com esses sentimentos agora. É como se eu estivesse me preparando mentalmente para tudo que pode vir, de todas as formas. Não sei ainda se eu lutaria ou se me trancaria em casa, se iria querer mudar de país, se ia me apagar. Mas continuo pensando sobre tudo isso

O que eu tenho hoje

Sabe quando o pessoal fala "teve uma época que vc pedia por tudo que tem hoje"? É verdade mermo. Eu olho para onde eu tô, o que conquistei, o que passei, e vejo meus privilégios e glórias e acertos, e fico bastante feliz. Mas pq não conseguimos ficar SATISFEITOS? Feliz sim. Feliz que tenho meu apê, que tenho meu espaço, meus livros... então pq sentar e aproveitar o meu espaço parece tão difícil, parece que tá faltando alguma coisa, parece que tô precisando de mais? Quando eu era criança, eu adorava arrumar o espaço para brincar. Fosse arrumar a casinha para brincar de boneca, arrumar a pista de terra para brincar de corrida de champinhas, arrumar a vendinha para brincar de mercado. A-DO-RA-VA. Arrumar tudo me deixava feliz. Assim que eu terminava de arrumar, e chegava a hora de brincar, efetivamente, eu já não queria mais. Perdia o interesse, achava chato, queria trocar as coisas de lugar, continuar arrumando - e não brincando. Eu sinto que faço assim na minha vida. Adoro arr...

As coisas bonitas - que me deixam feliz

Às vezes eu não sei se eu desisti das coisas por motivos de O MUNDO TÁ ACABANDO MERMO ou se eu estou me punindo por algum motivo. Mas eu sei que abro mão de muitas coisas em nome da praticidade, do "não adianta" e, principalmente, do "pra que serviria isso?". Eu geralmente abro mão de coisas bonitas. Coisas que me fazem feliz, mas que eu fico achando que é uma felicidade fútil, que eu tento me convencer que não preciso, que não é necessário, que é supérfluo. Canetas coloridas, pq gosto de escrever e ver tudo coloridinho depois. Meu cérebro faz "pq vc não economiza esse dinheiro e usa só canetas pretas?" - mas que graça tem? é bonito, minimalista, classudo, mas não é divertido, e nem me deixa feliz. Canecas. Canecas é um problemão. Eu só uso UMA caneca por vez, pq só tenho uma boca. Então, teoricamente, só preciso de UMA caneca. Mas se eu já tenho essa uma caneca, e me apaixono por uma caneca diferente, em formato de caldeirão, de gatinho, de bichinho... pa...

Insisto e existo

  (Livro Estavelmente instável, de Marcela Scheid) e para agradar o outro, eu me engrado. me cerco de grades. e deixo o outro lá, livre. quero, então, desagradar. e me desengradar. Ser insistentemente o que se é. até não conseguir mais ser outra coisa.

Olho mágico

  (Livro Estavelmente instável, de Marcela Scheid) e mesmo depois de tudo, estar aberta para o afeto. usar as vivências passadas como um "olho mágico". espiar. e entender quem se pode deixar entrar. se eu deixo todo mundo trancado lá fora, no fim, a trancada sou eu.

Maçaneta

  (Livro Estavelmente instável, de Marcela Scheid) a mudança exige o poder suportar. a mudança exige o querer mudar. um amigo me disse que: "a mudança é uma porta que se abre pelo lado de dentro." a mudança é uma escolha.

Auto

  (Livro Estavelmente instável, de Marcela Scheid) percebi que peço muitas desculpas. não por errar. mas por ser quem sou. "desculpa, sou muito isso." "desculpa, estou muito aquilo." e a lista de issos e aquilos é enorme. por que vivo, incansavelmente, me desculpando por tudo o que falo e sou? autopodação. autoprivação. autopunição. mas sem autocuidado. fico só nos autos negativos. essa coisa de se achar inadequada boa parte do tempo. minha terapeuta disse que era para eu focar no que eu acho de mim. e menos no olhar do outro. mas talvez esse seja o maior problema. o que eu acho de mim. o meu autoachismo não é lá muito positivo. então eu tenho que focar em quê? em não achar mais nada? será que o caminho é, também, se perder?