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Mostrando postagens de março, 2021

As sequelas não-físicas dessa pandemia

Estamos retrocedendo, de todas as formas possíveis. Nem preciso começar dizendo que o retrocesso foi anunciado em 2018, quando o país elegeu uma pessoa racista, homofóbica, machista, negacionista, falso-religiosa e essencialmente burra. Desde então vimos cair: nossas legislações trabalhistas (as que defendem NOSSOS TRABALHADORES, e não multinacionais que levam dinheiro para o exterior); nosso apoio à educação; nossa verba de saúde. Vimos aumentar: queimadas, agrotóxicos, violência contra minorias, armas vendidas, intolerância, o dólar. Isso tudo sem que estivéssemos enfurnados em casa, com a economia desmoronando, com 300 MIL MORTOS por causa de um vírus. Afinal, como esperávamos lutar contra isso quando o país passou os dois últimos anos tendo sua capacidade de pesquisa acadêmica desmontada? Como esperávamos ter atendimento de saúde se a fatia do PIB destinada ao SUS foi consideravelmente diminuída, e por um ministro que falou que "nem sabia o que era SUS"? Como fazer a econ...

Um pouquinho do que já...

 Tava aqui pensando na minha vida. Sim, na minha vida. Na minha trajetória, pelo que já passei e onde quero chegar, para onde quero ir. E pensei que: Já trabalhei com: - secretaria de dentista; venda de celular para servidores; venda de sapatos; estágios de biblioteconomia; gestão de projetos; empresa própria; professora universitária; bolsista de revista científica; bibliotecária. Já tive relacionamentos: - namoros, ficadas, morar junto, união estável, casamento, separação; Já estudei: - graduação em biblioteconomia (sou graduada); comecei e não terminei: administração, relações internacionais, história; mestrado em ciência da informação (sou mestra); especialização em métodos de ensino à distância (sou especialista). Já morei: - em 6 casas; 5 apartamentos; 5 cidades em dois estados do país. Já tive religiões: - frequentei a igreja congregacional; a igreja católica; centro de umbanda. Li, estudei ou estudo: wicca, paganismo, budismo. Já tive bichinhos: - passarinhos (noel e liam);...

Gastando dinheiro

 E tô eu de novo gastando dinheiro com o que não preciso. Posso culpar a pandemia? Posso. Mas sei que não é exatamente esse o motivo. Eu já me prometi não me entupir de livros com tantos e tantos para ler em casa. Estou conseguindo, razoavelmente. Comprei dois que tão na minha lista desde que lançaram, no ano passado, e tenho mais dois na lista (um de estudo, um que tô esperando uns 8 anos pela tradução em português). Mas fora isso, gostaria de ME LEMBRAR QUE: - não preciso comprar mais um tarô, por mais que eu queria muito os tarôs maravilhosos da Isis Editora - não preciso de mais livros - não preciso de mais coisas de cozinha, pois tudo que eu queria eu comprei ano passado (incluindo minha airfryer, meu moedor de café e meu mixer novo) - não preciso de mais roupas - a não ser calças jeans, que estão quase todas rasgadas nas pernas - e eu já mandei pra costureira DUAS VEZES - não preciso de sapatos, visto que: pandemia, e eu quase não tô saindo. Só quero muito uma pantufa, pois a...

Profissionalmente perdida, sim. Again. Novamente.

Já não é de hoje que eu ando meio perdida, e obviamente que um ano de isolamento não está ajudando nada. MAS não posso culpar a pandemia por grande parte da minha loucura. Minha ansiedade já me acompanha há anos, e eu já passo muito tempo meio desnorteada nos caminhos da minha vida. Nos que eu queria percorrer, nos que eu desisti de percorrer ("era para ter desistido?"), nos que vislumbrei e deixei pra lá e depois fiquei me culpando. Parece besta, né? Mas é verdade. Um dos maiores problemas da ansiedade é viver no "E SE". Todas as escolhas que fazemos se configuram em bifurcações no caminho - normal. Mas o ansioso olha para a bifurcação e tenta ver qual vai ser a próxima, e a próxima e a próxima, até o final do caminho. E quando termina de olhar um, tentar olhar o outro, e o outro, e o outro, nas mais diversas combinações possíveis - e tudo sem tirar os pés do lugar, pois não consegue dar o passo inicial. E se eu estiver escolhendo errado? Vai dar para voltar? E se ...

Do nada ao superaquecimento

Todo mês tem sido assim: minha energia cai vertiginosamente no final do ciclo menstrual, eu fico triste, impaciente e muito irritada. Não quero fazer nada. É a menstruação descer que a energia volta em uma porrada, e eu fico cheia de vontades, de energia para fazer coisas - e foco zero para saber o que eu vou fazer mesmo. No momento eu quero tempo para: - terminar minha mantinha de crochê - ler alguns dos livros não terminados da minha lista (tem uns 15, dos últimos 5 anos) - ler os livros que estão na minha lista DESTE ano - ler livros que nem estão na lista, mas estão em casa esperando - reler meus livros de ayurveda - arrumar horário para estudar inglês - fazer um curso de uso da máquina de costura - cozinhar minha comida com antecedência Ou seja, não dá tempo de tudo e eu já não sei o que fazer, de novo. Porque ler demanda tempo e atenção, e não consigo ler um pensando que devia, queria ou podia estar lendo algum outro da lista. Eu sinto que podia estar fazendo algo, não pro mundo,...

E hoje tá..?

Só para manter como registro, o mundo tá uma loucura, o brasil tá uma merda, e manter a sanidade sem remédios tem sido uma tarefa hercúlea. 3 mil mortes/dia, pessoal com medo zero, o brasil fudendo as estatísticas e a gestão pandêmica mundial. Não pode sair, e mesmo que pudesse, eu não iria, pois: cagaço.  Vontade ZERO de trabalhar, pq a cabeça não tá boa, mas tô tentando. Enquanto isso, e ainda assim: Comecei a me exercitar essa semana. Tô esperando a confirmação da UNIMED para a liberação do DIU. Tô tentando não fumar. A coisa tá muito ruim, minha esperança com a humanidade tá zero, com a política é inexistente, mas tô ignorando isso e "continuando a nadar" - a cabeça não aguenta se eu parar, já dizia a música.

(rapidinha do dia)

 ... estou há uma hora parada na frente do PC, tentando me convencer a trabalhar e não consigo. É incrível como as coisas funcionam na cabeça de formas subconscientes, pq eu já estou aqui, já estou digitando, mas não sei pq caralhos eu não consigo me convencer a abrir o sistema que preciso e resolver o que sou paga para resolver. tô sacudindo as pernas. não sei o que fazer, não sei como sair disso.

E depois do concurso?

 Tô muito desanimada com o trabalho. MUITO. Não sei se tem algo haver com estar fora do meu ambiente profissional padrão, a biblioteca - mas acredito que não seja. Enquanto estava na biblioteca eu também fiquei bastante na merda, porque não me entendia com minha chefia, me sentia tolhida, não conseguia desenvolver nada. Mas estar no setor em que estou hoje também não está ajudando. Minha vontade de abrir os sistemas e desenvolver os processo que eu preciso está tendendo ao negativo, e eu sou a única pessoa do meu setor - ou seja, ou eu faço ou não será feito. Eu abri as hashtsgs #servidorapublica e #concursada no instagram, e aparecem muitas fotos de pessoas felizes, comemorando o que podem ser ANOS de estudo para conseguir a vaga sendo recompensados, assinando seus termos de posse. Mas e depois? O que acontece depois do "felizes para sempre" quando você assina seu papel? Eu não tô feliz, e não sei se a culpa é minha. E me culpo por isso, inclusive. Eu passo dias lutando com ...

E a vida tem que ter um motivo?

 Tava eu aqui, de novo, paquerando graduações, mestrados e doutorados. Pq? Pq estou com tempo. E tava aqui pensando em livros que quero ler, que queria comprar (queria, mas NÃO VOU, pq já tenho um zilhão em casa - sabe que percebi que tenho pena de ler os livros que tenho e ficar com poucos não lidos em casa? :P), e pensando "mas o que tô fazendo com toda a informação dos livros de não-ficção que tô lendo?" Ao mesmo tempo em que eu queria estar contribuindo com alguma coisa no mundo, e sentindo que não tô, eu fico me perguntando "mas a gente TEM QUE contribuir pra alguma coisa?" E o que eu acho que poderia contribuir? Pq eu acho que alguém ia querer ler sobre decolonialismo explicado? Ou ver tutorial de crochê? Ou (insira aqui alguma das possíveis habilidades que você tem). Me pergunto se não podia estar estudando e tentando publicar algo sobre o que eu já sei, como biblioteconomia. Se podia estar estudando algo que me interessa, como história e sociologia. Se escre...

Bancando as paradas

Eu tô há mais de mês enrolando pra comprar um certo curso online. Ele parece ser bem do jeito que eu tô precisando e querendo, mas como me comprometer? Como dizer que vou fazê-lo? E se eu gastar dinheiro à toa e não colocar a mão na massa? Pq é isso que tem acontecido - eu me animo por um dia, grito um "VAMO LÁ TIMEEEE!" e no dia seguinte, todas as rotinas que gosto e sei que funcionam comigo foram por água abaixo. Ao invés de levantar, fazer minha higiene, levar a Frida pruma voltinha e voltar pro tapete de yoga, eu tenho sentado para trabalhar direto (para uma hora e meia depois estar com sono e dores nas costas, JÁ). Limpar a casa tem sido um sacrifício, se eu posso ficar pendurada no celular falando com amigues dos grupos do telegam, zapeando o instagram sem necessidade ou zapeando a netflix or 2,5h sem escolher nada pra ver. Nenhum dos planos, mesmo os que eu mais necessito - preciso me exercitar de alguma forma, queria fazer a máquina de costura funcionar, queria termin...

 Fé e religião são coisas diferentes. Ser uma pessoa sem religião pode ser bastante solitário, sabia? Eu frequentei a Igreja Congregacional quando era bem novinha, entre os 10 e 12 anos (e meu primeiro beijo - uma bitoquinha de nada - foi num retiro de carnaval, aos 12). Depois a católica, entre os 13 e 14 - mas larguei o catecismo por achar tudo muito hipócrita... continuei na Pastoral da Alimentação porque meu irmão e primos estavam, e porque achava lindo o trabalho de levar sopão para os necessitados. Mais ou menos nessa época eu já estudava wicca, paganismo e misticismos em geral. Fiquei nas fases da lua e tarô e mitologias pagãs por alguns bons anos. Aos 17 eu comecei a frequentar o mesmo centro de umbanda de todos os meus amigos. Aos 18 coloquei roupa pela primeira vez e logo fiz iniciação e imantação. Saí aos 21, e fiquei devendo a feitura - que já havia sido pedida. Isso foi em 2008, e desde então eu não frequento e me identifico como de nenhuma religião. Estudo budismo de ...