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Mostrando postagens de maio, 2023

Trilhos

Alguns dias eu paro, olho, e penso: "quando as coisas saíram de controle de forma tão espetacular?" De quando eu conseguia meditar quase todos os dias, manter a rotina de yoga, ver filmes toda semana. Cozinhava em casa quase tudo que comia, não tinha isso de ifood. Dava para encaixar as leituras durante o dia, dava para fazer algumas coisa que me fizesse bem, como alguma atividade manual (sem duplo sentido aqui), uma caminhada. E, de repente, tudo que você conquistou na rotina, no autoconhecimento, em excluir a autossabotagem, parece que vai pelo ralo. Você percebe que está há 3 ou 4 semanas sem ir ao poledance, que você tanto gosta. Que já não chega perto das panelas, deixando pra terceiros ou para o entregador a obrigação de te alimentar. Que não tem concentração de ver um filminho de hora e meia, e quando tem, nenhum lhe parece apetitoso o suficiente. Eu não acho que "saio do trilhos", pq não me guio por eles. É mais como uma autoestrada: o carro tem liberdade de...

Mofinho na janela

Minha mesa de notebook fica em frente a uma das janelas da casa. Desde que mudei pra cá, eu olho a janela e penso "preciso limpar essa janela". Veja bem, Curitiba. Com o tempo maravilhoso que faz aqui, até a janela MOFA. Sim, mini-mofinhos que se espalham como aquelas imagens de janela congelando em filmes estadunidenses de natal. A janela, já há tempos sem ser limpa, estava com vários mini-mofinhos, que me incomodavam. Então, desde que mudei (vai fazer dois meses) eu coloco na minha agenda, na lista semanal de afazeres, "limpar a janela do meu escritório", junto com uma seleção de coisas - na maior parte das vezes mais trabalhosas do que limpar a janela. Mas eu limpava? Não. E isso me incomodava deveras. Toda vez que eu passava em frente à janela mofadinha, eu falava "ixi, ainda não limpei a janela". Toda vez que fazia as listas da semana na agenda, lá vinha o incômodo "limpar a janela". Às vezes eu tava só deitada lendo um livro, e vinha à minh...

Um mês

Um mês. Período de trinta dias que parece muito longo, ou muito curto, dependendo do referencial. Um mês em casa. Um mês em casa pq tive um burnout foda, e isso me paralisou. Um mês em casa, e remexendo na cabeça, com psiquiatra e psicólogo. Eu olho em volta e me pergunto o tempo inteiro "e agora? o que eu faço agora?". Uma pergunta com aspectos curtos (o que eu faço agora, hoje, nesse dia) e longos (o que eu faço de certos aspectos da minha vida a partir de agora). Remexer na cabeça é sempre uma coisa. É tipo limpar uma casa que foi negligenciada por muito tempo. Levantar os tapetes e olhar o que arrastei lá pra baixo, o que escondi em gavetas, o que entulhei nos meus armários mentais. É coisa pra caralho, sem or. E como lidar com isso tudo? Junta tudo, joga fora e depois ir adquirindo novamente o que eu acho que preciso? Parar para olhar cada coisa, uma por uma, e fazer o processo se estender para sempre (fora que, quem faz faxina sabe: olhar coisa por coisa faz a gente can...

Destaques do livro "Aurora: o despertar da mulher exausta"

 - A ansiedade, por sua vez, é a experiência de estresse contínuo, que é desproporcional ao estressor e continua muito depois que ele desaparece. - Pode até parecer bobo à primeira vista, mas boa parte das vezes em que você diz que teve um dia ruim, o que aconteceu foram cinco minutos de estresse em um ciclo mal resolvido que destruiu o restante do dia. - A ansiedade mente para a gente. Faz achar que nosso valor está diretamente conectado a conquistas profissionais, faz a gente confundir exaustão com falta de força de vontade. -  Minha imaginação atua como parceira da minha ansiedade ao visualizar cenários nítidos de tragédias iminentes. - Em uma sociedade em que a produtividade se tornou tóxica, muitas vezes nossa única autorização para pausar é quando alguma doença nos enfraquece. Por isso, precisamos de acolhimento externo para lembrar que a saúde emocional importa tanto ou mais do que a física. - ...percebi que o que eu tinha não era falta de tempo para faze...