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Mostrando postagens de maio, 2020

Até o final do ano

Hoje, sentada no terraço, tomando vinho e conversando, calam e em paz pela primeira vez em muito tempo, tava pensando na situação em que nos encontramos - com seriedade mas clareza (menos desespero cego). É isso aí, né? Pelo menos até o final do ano, vai ser desse jeito. Sair pouquíssimo. Nada de viajar. Nada de cinema. Nada de barzinho. É casa e casa, até onde der. Se a vacina vai sair mais ou menos daqui há um ano, a métrica "2021"ainda é otimista. E o que fazer com esse ano? Esse ano sacana, que dizemos "perdido"? Não pode estar perdido. Estamos vivos. Estamos respirando. Estamos lutando. O que fazer com isso? A ideia é tentar não se deixar abater (muito) pelo fato de que outros planos não estão andando. Não dá para viajar as vezes que eu planejei, mas dá para ver a filmografia daqueles diretores que eu havia separado. Não dá para ir para os parques quando tem um domingo de sol, mas dá pra colocar a cadeirinha no terraço, ligar o som, abrir a esteira...

O caminho mais fácil

Nós humanos tendemos a escolher o caminho "mais fácil", isso é fato. Estou fazendo um curso de Neurociência, que veio com a pós-graduação que estou pagando, e aprender como o cérebro funciona nessas escolhas está sendo fascinante. Em resumo, quando você faz algo que te dá prazer (seja um comida gostosa, uma sensação de alívio, prazer físico), o cérebro libera dopamina. Quanto mais vezes você repete a experiência, mais vezes aquela atitude está associada à sensação de bem-estar provocada por ela. E, surprise , o cérebro tem um mecanismo de automação onde ele SEMPRE escolhe o caminho que libera dopamina. Melhor ainda: a parte do seu cérebro responsável pela escolhas racionais ("preciso terminar aquele relatório chato, porque ele paga minhas contas") ao invés do prazer ("ai, não vou fazer isso agora, posso fazer amanhã - que alívio pensar nisso"), que é o córtex pré-frontal, sofre "apagões" com a dopamina. Ou seja, quando você sente o p...

Desculpa, hoje não deu

Hoje não deu para permanecer otimista. Hoje não deu para acordar, meditar e trabalhar como se estivesse tudo bem. Porque estamos passando pela pior estiagem dos últimos 30 anos, e ninguém parece se tocar ou ligar ou querer entender que foi porque queimaram e desmataram todas as florestas que alimentam os rios aéreos, e que sim, o desmatamento da Amazônia provoca a seca aqui. Porque Foz do Iguaçu secou, aquela catarata linda tá só um fiozinho dágua. Porque mataram um menino, negro, dentro de casa em são gonçalo. 14 anos. Porque nosso estado é genocida. Porque o presidente que tiveram a pachorra de colocar no poder, é genocida. Porque o governo só tem loucos, fascistas, corruptos, assassinos, e parece que ninguém tá ligando. Porque perdemos ministérios importantes, e os que não estão perdidos estão nas mãos de gente perversa e mal intencionada. Porque a educação de base foi pro saco. Porque o SUS tá desmontado. Porque conceitos como justiça social, responsabilidade polít...

DI-NHEI-RO, a vida, o universo e tudo o mais

Tava aqui pensando nas minhas relações de consumo com o mundo e comigo mesma. Já faz uns meses eu cheguei na conclusão de que não PRECISO mais de nada em casa. Quero? Sim. Preciso? Não necessariamente. Quero cerâmica artesanal (as da Entorno e da Mosca, aqui de Curitiba, vivem me seduzindo). Quero um moedor de café para ter aquele cheiro de café fresquinho pela casa. Quero toalha de banho daquelas gigantes (famosa "banhão"). Quero um painel de tecido para colocar no quarto. Quero mais luzinhas tipo pisca-pisca. Quero uma máquina de lavar - isso eu quero MUITO. Quero uma batedeira nova, porque a minha de quase dez anos pifou. Quero uma poltrona de leitura. Quero um tênis novo, mais confortável. Quero um tricô novo de frio. Como deu para perceber, não são objetos imprescindíveis. Eu ainda não comprei as canecas de cerâmica artesanal pq quando meus pais vieram me visitar ano passado eu comprei cum conjunto simples de louça (eu não tinha prato suficiente para todos c...

Top 3 da quarentena #2

Lugares que ainda quero conhecer: * San Andreas * Jalapão * Cuba Coisas que dão a sensação de casa arrumada * Mesa da cozinha sem bagunças * Cama feita * Pia sem louça Irritações de limpeza * Pelo da Frida em tudo quanto é parte 2 segundos depois de varrer * Tirar pó da estante de livros * Lavar meias direito Vontade de comer * Brigadeiro * Coisas cremosas de legumes (várias) * Empanadas Quero ir de novo * São Paulo * Buenos Aires * Salvador Afazeres eternos * Livros para ler * Louça para lavar * Coisas que quero estudar Não cabe no dia * Pintar * Exercícios :P * Séries Tento fazer caber no dia * Bordar * Ver filmes * Escrever Bônus: yoga e meditação Cores em casa * Roxo * Verde * Amarelo Coisas de vestir * Jeans * Camiseta preta * Sobretudo Incômodos * Sapatos apertados * Comida sem gosto * Afta A criança cresceu: * Gosto de banho * Como legumes * Bebo cerveja Achei que não ia dar e deu: * Brincos * Dourado * Mestrado Q...

Sede

Dora Steimer, Crônicas Atípicas Sede, vai existir sempre. Garrafas precisarão ser preenchidas. Solitude parece ser perceber que as garrafas estão vazias, enchê-las, depois beber e ficar satisfeita. Solidão é acreditar que alguém irá preenchê-las e, mesmo com isso acontecendo perfeitamente, morrer de sede. Dá para confundir um com o outro. Também dá para sentir as duas coisas ao mesmo tempo. A coisa é mais complexa do que a gente (não) imagina. E como as coisas se repetem nessa vida, né gente, esse longo dia da marmota... Pretendo morrer de qualquer coisa, menos de sede. Encham suas garrafas. Bebam mais água. Faz bem.