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Mostrando postagens de abril, 2021

Eu sou um projeto

Eu sou um projeto para mim mesma, o tempo todo. Eu faço planos, eu organizo, eu traço metas. Coisas que quero fazer, coisas que quero aprender, minhas necessidades. Reservo um tempo para delinear algumas formas de chegar lá. Começo a colocar em prática, animada por estar caminhando em alguma direção. Um dia, dois dias.. uma semana.... até que a vida acontece. O isolamento, os hormônios, algum estresse, me pegam no meio do caminho, e eu travo. Passo dias só tendo energia para manter o mínimo do trabalho, e para ler literatura que não consuma o cérebro. Não consigo me convencer a arrumar ou limpar a casa, a cozinhar para mim, a cuidar de mim. Não movo uma palha, e os pelos da Frida vão se acumulando nos cantinhos, o dinheiro gasto pedindo comida vai crescendo no meu cartão de crédito, os exercícios da manhã vão ficando pra trás. Quando vi, já são duas semanas de imobilidade quase total. Paro, respiro, "não dá pra ficar assim, o que eu tô fazendo de bom?". Sento de novo, dessa v...

Mais um, menos um

 Nessa quinta é meu aniversário, de novo. Na pandemia, de novo. Ok que faz ANOS que não comemoro com mais gente além do F., mas em geral a gente sai. Sinto falta de sair. Ouvir um blues ao vivo no bar maravilhoso - mas caro, então virou lugar de datas especiais. Bater perna na rua. O reflexo da pandemia é a vontade de gastar dinheiro sei nem com o quê. Fiquei olhando vitrine virtual pensando no que me dar de aniversário, e nem tem nada que eu queria. Assim, tem algumas coisas que eu preciso, como calças jeans. Ou até um sutiã daquela marca handmade que eu tô paquerando. Mas eu não PRECISO de nada, e meu cartão já tá lá no teto. Quero consumir para sentir a vertigem do consumo, do tempo que levo para escolher, do prazer de receber, a dopamina de receber os correios. Mas não sinto que preciso de nada agora. Na quinta-feira (hoje é segunda) eu faço 34 anos. 34. Aquela idade que eu pensava que eu ia ser super adulta e bem resolvida, com casa e carro, ou senão, com viagens e falando 3 i...

Um capítulo novo nesse fuzuê todo

No último sábado eu tomei uma decisão importante. No último sábado eu coloquei meu DIU. Não é de hoje que digo que não quero ter filhos. Não confio na humanidade, acho legal a ideia de criar uma criança, mas não a de soltá-la nesse mundo em que, sinceramente, nem eu quero estar às vezes. Acredito em colapso, em falta de água, em brasil indo pelo ralo, em escalada autoritária, em excassez... e não quero colocar uma criança nesse mundo. E mesmo assim, eu passei por dois anos de leve dúvida. Em 14 de março de 2019 eu perdi uma gestação, com 9 semanas, a única que tive na vida, e totalmente não planejada - e isso me estremeceu um pouco. Passei um tempo repensando "não mesmo?". E eu nunca havia duvidado da minha decisão. Então percebi diversas coisas sobre isso. Que eu não queria ser mãe, que eu queria ser a pessoa que alguém escolhe para ser a mãe de um filho. Que eu definitivamente não quero me responsabilizar por outra vida, se até com a minha eu tô aos trancos e barrancos. Que...