Postagens

Mostrando postagens de dezembro, 2019

2020, um M(eu)nifesto

Eu já passei por tanta coisa... Esse último ano e meio foi... terrível. Coisas boas e coisas ruins, e eu tentando entender o que tava havendo no meio disso tudo. Nesse tempo, o Brasil mudou, a política mudou, as pessoas mudaram, meu coração mudou. Tenho pensado muito no porque de tanta dificuldade e dor aqui dentro. Cheguei à conclusão que eu não tenho sido fiel a mim mesma, aos meus princípios, aos meus sentimentos, aos meus valores. E, o que mais me surpreendeu, não honrar às suas ideias não é apenas contradizê-las, mas também a inação. E é dolorido, não agir. Fazer algo para mudar seu entorno dói, lutar contra a entropia dói. Então estou juntando um grupo de ações para o próximo ano, que me fazem me aproximar de mim e do que acredito. Que me tirem da inatividade, da inércia, do "continuar fazendo o de sempre pq dá menos trabalho". Algumas são simples, outras são elaboradas; algumas parecem que não tem haver, outras são bastante explícitas. Eu quero exerc...

Fugindo dos parangolés

Mais uma noite em que eu queria fugir de mim. Again. Estou com uma pequena lista de afazeres de coisas que demandam tempo e disposição. Costurar coisas, limpar coisas, arrumar coisas, lavar coisas, separar coisas, destinar coisas. Eu olho para o relógio e penso: "será que não tem alguma coisa para fazer? ninguém para acompanhar num boteco, num restaurante, num cineminha?" A verdade é que o que me incomoda é a solidão. É estar em casa sozinha pensando que o mundo está lá fora, ocupado e divertido, e eu tô aqui correndo atrás do meu próprio rabo, me remoendo por estar onde eu sempre digo que quero estar no momento em que piso na rua. Falta alguma coisa para eu chamar isso aqui de lar, e eu não acho que seja algo físico. Pensei em uma poltrona de leitura; um abajur; uma mantinha para o sofá; quem sabe almofadas? quadrinhos? Mas o que falta mesmo é eu me achar nisso tudo. Eu sinto falta de companhia (algumas vezes, falta bem específica), e me ver sozinha é um cho...

A lente de aumento da noite

Eu acordo e tá tudo bem. Tenho vários planos. Olho para o apê e penso "preciso lavar os lençóis, levar o edredon para lavar, e fazer comida à noite. E costurar minha toalha de mesa. Na volta eu faço tudo". Saio para o trabalho realmente com isso em mente. A manhã passa, almoço, já um pouco desanimada. Volto para o trabalho, produzo muito pouco (geralmente a tarde é meu período mais lento). Dá a hora de vir pra casa. E eu penso em tudo que tenho pra fazer e faço... nada. Deito na rede. Fico olhando para o whatsapp se alguém tá disponível para conversar. Mais problemático, fico esperando o telegram apitar. E as horas vão passando comigo olhando para o nada. E quando dá oito na noite eu penso "é isso, não fiz nada e não sinto que dá mais tempo para fazer; mais um dia perdido". A verdade é que a noite tem uma lupa. Talvez ela chegue com a lua, talvez seja só porque escurece... mas ela traz na mão uma lupa. Tudo que era migalha de problema de repente fica en...