Eu como prioridade?
Eu continuo não sabendo bem quem sou.
Essa semana eu parei para pensar no que eu quero para mim, no que eu quero para o próximo ano, no que eu preciso, e o cérebro deu, tipo, tela azul.
O que eu quero?
Tentando planejar para onde viajar nas férias, tentando pensar no que quero aprender ano que vem, no que eu gostaria de gastar (ganhar) meu tempo, eu notei que... não sei.
Parece que minha vida está em suspenso. Eu estou esperando. O que? Quem? Por quê? Não sei.
Alguém decidir por mim? Pessoas para falar "vamos juntos"? Cair do céu? Porque assim, isso não vai acontecer, né?
Esse último ano da minha vida foi praticamente perdido, em diversas frentes. Parece que foi só tiro, porrada e bomba, em um navio, e eu tô à deriva até agora. Só queria chegar numa areia de praia para descansar um pouquinho, mas não tá dando trégua. Estou trabalhando para que isso aconteça em breve, mas não sei se vale mais ficar boiando de costas ou tentar nadar para algum lugar (e gastar energia nadando quando já tá em modo de economia só vale quando você já vê a costa onde atracar).
Eu estou me comparando com outras pessoas. Eu estou me comparando com A outra pessoa. Que a vida seguiu, que o mundo andou, que conseguiu sair do buraco com muito mais velocidade, e fico me remoendo "tá vendo, pq eu não consigo também? eu devia estar saindo, fazendo cursos, viajando, conhecendo gente, e tô aqui sentada com a cabeça nos pulsos, braços apoiados nos joelhos, só tentando não hiperventilar".
Talvez eu só devesse parar de comparar. Talvez eu só devesse me perguntar o que eu quero, sozinha e por mim. Talvez eu devesse parar de tentar me provar que tô bem quando não tô. E parar de me forçar a "estar bem" e "produtiva".
Começar pela base: minhas finanças estão arrasadas. Inexistentes. Gastei até o que eu não tinha na mudança, e depois comendo na rua por falta de vontade de cozinhar, e indo para barzinhos com o pessoal do trabalho por pavor de passar sozinha em casa um final de semana inteiro seguido. Para uma viagem para São Paulo em que eu andei pelas ruas, chorei no hotel e não aproveitei NADA. Seria bom não pensar em viajar enquanto não tá sobrando 3 reais no mês para guardar para o mês seguinte.
E para viajar, para onde quero ir? Para os mesmos lugares, de novo, só pq não dão trabalho para planejar? Ficar esperando alguém convidar para não ir sozinha? Por que não ir sozinha? E aproveitar, e curtir o silêncio, e minha companhia, tirar fotos, conhecer museus? Por que ficar esperando férias que nunca batem, pessoas que nem fazem questão?
O que eu quero estudar? Com que tipo de pessoa quero conversar? Por que não catar os grupos de leitura dentro da cidade - e perder a preguiça de ir? Coletivos de estudos do que me interessa, ao invés de estudar sozinha em casa resmungando que não tenho com quem debater?
Mas tudo isso quando FOR O TEMPO. Não o tempo dos outros, o meu tempo. Quando eu achar que minha vida financeira está bem para isso, e minha cabeça não está fodida para estar sozinha e conseguir aproveitar. Não para comparar, não para me cobrar, mas para curtir.
Que as amizades sejam leves, não cobradas. Que eu pare de fugir das pessoas que se preocupam comigo por total falta de vontade de dividir o que se passa aqui dentro. Que eu deixe de preguiça em procurar o que sei que pode ser bom para mim, mas que "vai me dar trabalho".
Eu preciso voltar a viver, ao invés de ver a vida passar.
Quem sabe agora olhando em volta eu não consiga ver uma margem, uma faixa de areia para ancorar? Há esperança. Um ano à deriva já está demais para mim...
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