E no final das contas quem (o quê) sou eu?

De quinta-feira (31/10) pra cá eu estou com uma sensação muito forte do que SOU eu. 

Do que eu sou no meu centro, das minhas opiniões sem a influência externa e a necessidade de agradar. Quem é essa personalidade que decora meu apartamento, que escolhe as cores das fronhas, quem compra as plantas.

Não sei se consigo explicar essa sensação de achar uma parte verdadeira dentro de você mesma. O budismo fala que nós não somos nossa mente, essa coisa inquieta que nos prega peças... somos mais, somos mais profundos, mais completos. E, incrivelmente, parece que eu achei uma parte de mim, que não é minha mente racional, que entende isso. A parte que diz "isso aqui é verdade, isso qui é real".

Muito louco, cacete!

Eu estou surpresa, e feliz. E tranquila. Parece que eu achei uma partezinha que fala "tá tranquilo, pq no final das contas, nós somos isso aqui, ó". Ainda é uma partezinha pequenininha, e veio como um "click". Mas tá aqui. Eu tô vendo ela, e ela é linda <3

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Parando para pensar agora, você sabe que dia é 31/10? Dia de todos os santos. Se você foi uma adolescente trevosa e/ou alternativa (como eu) e estudou um cadin de paganismo na juventude, você também sabe que dia 31/10 é Samhain, ou "sou-in", o ano novo pagão (sim, tem gente que diz que no hemisfério sul seria em abril/maio, mas eu sempre concordei com o calendário que só troca os equinócios e solstícios, e mantém as outras datas - se você não sabe do que eu tô falando, não se preocupe, rsrsrs).

Samhain é um dos sabbats maiores mais importantes, é o renascimento, o novo ano começando, é o dia em que o véu entre os vivos e mortos fica mais fino.

Não é uma questão do que acredito hoje ou não (já falei, hoje eu devo ser "agnóstica teísta", rsrsrs), mas achei engraçado pensar agora e notar a coincidência do meu sentimento comigo mesma e essa data, sabe?

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Eu estou um pouco mais confortável na minha pele, isso é verdade. Entendendo um pouco mais o que eu sou. Me responsabilizando mais pela minha vida e pelas minhas escolhas. Mais satisfeita com minha casa, com minha solidão, com meu espaço pessoal. Me identificando. Me vendo nas minhas escolhas. E isso está sendo surpreendente. Foram várias as vezes nos últimos dias que eu pensei "é, isso sou eu" ou senti um conforto quente no meio do meu corpo quando estava fazendo algo com que realmente me identifico. Parece que (ENFIM, PORRA!!!) eu estou me abraçando, me acolhendo, me curtindo. E isso tá sendo tão inédito que eu tô com medo de perder isso, que seja efêmero, que seja muito fluído para permanecer... mas eu também aprendi que tentar segurar com força essas sensações faz elas escorrerem pelos dedos. A concentração em tentar manter isso faz com que a gente não curta quando tá acontecendo e depois fique remoendo quando já tiver passado.

Então eu tô aqui, curtindo.

Espero que essa partezinha que apareceu fique. E que, com o tempo, cresça. Pq está me deixando muito feliz, de dentro pra fora.

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