Fugindo dos parangolés
Mais uma noite em que eu queria fugir de mim.
Again.
Estou com uma pequena lista de afazeres de coisas que demandam tempo e disposição. Costurar coisas, limpar coisas, arrumar coisas, lavar coisas, separar coisas, destinar coisas. Eu olho para o relógio e penso: "será que não tem alguma coisa para fazer? ninguém para acompanhar num boteco, num restaurante, num cineminha?"
A verdade é que o que me incomoda é a solidão. É estar em casa sozinha pensando que o mundo está lá fora, ocupado e divertido, e eu tô aqui correndo atrás do meu próprio rabo, me remoendo por estar onde eu sempre digo que quero estar no momento em que piso na rua.
Falta alguma coisa para eu chamar isso aqui de lar, e eu não acho que seja algo físico. Pensei em uma poltrona de leitura; um abajur; uma mantinha para o sofá; quem sabe almofadas? quadrinhos? Mas o que falta mesmo é eu me achar nisso tudo. Eu sinto falta de companhia (algumas vezes, falta bem específica), e me ver sozinha é um choque. Não ter com quem rir da cena do filme, não conseguir comentar a notícia lida no jornal.
Mas, né? O único relacionamento que vou levar até o fim da minha vida é o meu comigo, então é bom parar com isso de esperar "o outro". Não que eu tenha que ficar sozinha ad eternum; mas não quero/posso depender exclusivamente da companhia de alguém para me fazer sentir em casa.
Como diria Francisco el Hombre, "eu sou meu próprio lar"
(mas que às vezes dói, dói, rsrsr)
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