Cada escolha, uma renúncia, e é isso mesmo

Dias de pensamentos confusos, algumas paradas para cálculo de rota.

O corpo reclamando da forma como eu tô (des)cuidando dele, e eu fico doente, toda inflamada, os joelhos berrando, dor de cabeça toda semana, cansaço, sono fora de hora, insônia quando não deve.

O trabalho que não faz sentido, os estresses necessários e, pior, os desnecessários. A sensação de inutilidade.

A vontade de ser várias pessoas em uma, de viver várias vidas em uma. Várias vidas que, muitas vezes, não cabem no mesmo espaço. E escolher seu caminho, escolher o que cabe melhor pra você, te faz abrir mão de outros caminhos, que te levariam para outros lugares e outros resultados.

Se eu sou a pessoa que quer acordar cedo (no meu caso, pq eu já acordo mesmo; posso ir dormir a hora que for, que antes das 7 já tô lá, acordadona...), não adianta querer ser a pessoa que sai à noite com frequência, que marca chopp dia de semana. Não sendo radical, obviamente - uma saída ocasional com algum amigo pra comer alguma coisa numa quinta-feira; ir ao cinema numa quarta; assistir uns filminhos em casa até um pouco mais tarde. Mas assim, ocasional.

Eu queria ser a pessoa descolada que chega em casa depois do trabalho, deixa a bolsa e sai de novo. Vai em evento, tem vida noturna, sai para beber, se divertir, fazer curso, e afins.
Eu queria ser a pessoa que escolhe a rotina acadêmica, que foca no trabalho.

Mas "ser" essas pessoas pediriam outras posturas de mim. Ser a pessoa que tem vida noturna exclui a pessoa que tem vida matinal. Não sei se as pessoas percebem, mas não dá para ser tudo. NÃO DÁ.

EU sempre tive a visão do que funciona para mim e do que quero construir para minha vida. Sabe, do que eu quero contar sobre minha vida pros meus sobrinhos-netos no futuro. Mas, e olha só, tenho aqui uma dicotomia forte. O estilo de vida que eu queria dizer que "tenho", que acho que combina comigo, faz parte de um grupo que eu mesma considerava chato. Caxias. Então como fazer para as coisas se encaixarem?

Eu sei que o que eu escolho para minha vida hoje não é algo "para sempre". Que eu posso repensar minhas opções e ir ajustando a rota para que espelhe o que eu quero para mim. E pensando, o que eu quero, no momento?

Primeiro, na verdade, colocar: o que me faz considerar certo estilo de vida chato? Sou eu que acho ou é reflexo da sociedade em que vivo?

Pq a pessoa falar que dorme cedo, que não faz maratona de séries, que acorda antes das sete ("mesmo no final de semana???"), nos faz estranhar? Porque alguém que é vegano é taxado de chato? Pq escolher ficar em casa quando todos estão saindo te isola?

Eu preciso de rotinas para funcionar. Para manter minha ansiedade sob controle e minha sanidade mental presente. E eu preciso fazer escolhas, e preciso deixar de pensar no que as pessoas podem pensar. Parar de escolher coisas pq as pessoas escolhem, ou pq agrada a alguém (quem, sem or?) - não estou falando de ajustes harmônicos de relacionamentos, falo de querer agradar ignorando nosso próprio Eu.

Não sei se é alguma coisa no ar (posso culpar mercúrio retrógrado?), mas eu tô nesse ponto aí. Escolhendo. Pq se eu não escolher por mim, e bancar minhas escolhas, quem vai escolher? Quem vai fazer?

Então vamos. Pega minha mão aqui e vai.

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