"Como assim, você joga tarô??"
Ocasionalmente alguém se surpreende de eu ler tarô.
Então. Minha relação com religiões e crenças é meio tortuosa e comprida. Para resumir: meu irmão é católico, meu pai é filho de mãe de santo, minha mãe é presbiteriana. Eu frequentei a Congregacional e a Católica; estudei wicca e paganismo; fiz imantação em centro de umbanda; estudei (e estudo) budismo.
Se acredito em alguma coisa? Bom manter minha mente científica separada do restante. Existe algo maior? Maybe. Não posso negar as experiências que já tive, não posso dizer que acredito em deidades da forma como elas nos são empurradas. É uma pequena confusão, isso de "em que eu acredito".
Sei que acredito em energia. Quando a gente sente o ambiente pesado, quando nos sentimos leves; quando o campo energético precisa ser limpo, quando a energia de um incenso pode ajudar. Se rezo para alguém? Não necessariamente.
É meio complexo.
Dito isso: uso o tarô apenas para autoconhecimento. Não acredito em "ler o futuro" - mas acredito que ele tenha a capacidade de jogar na minha cara as coisas que estão passando como pano de fundo no meu cérebro e eu não quero pensar claramente. Tudo que estou ignorando solenemente, coisas que eu sei que deveria parar e pensar, mas que soterro com desculpas ou "ops, não vi isso ali" - o tarô consegue puxar o que tá na minha energia e trazer as cartas certas para apertar esses gatilhos.
E sigo nessa. No que acredito? Não me pergunte. Religiões me dão coceira. Mas tenho lá minhas séries de rituais e cutucadas cerebrais quanto a isso. E por enquanto, sigo tirando minhas cartinhas ocasionalmente.

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