Quarentena: e aí?
Tô sem sair para o trabalho desde 17/03. Vai fazer um mês. E eu sei que as coisas ainda vão piorar, que quando a doença começar a pegar, vai pegar MESMO, que vai ser caos. A economia tá indo para o buraco, e não tem previsão de melhora.
Tem dias que são muito, muito ruins. Semanas sem conseguir fazer yoga. Simplesmente não me dá vontade. Nem meditar. Meu cérebro entrou em modo de economia de energia para certas coisas, mas pra outras tá queimando mais combustível que carro velho. Ainda assim, estou surpresa de ainda ter alguns fios de sanidade.
Queria ter esperança que isso ia fazer a humanidade repensar o sistema, mas né? Acho que não.
Então eu tenho tido muito, muito, MUITO tempo para pensar nas coisas. Muitas questões passando na minha cabeça. O que eu vou fazer com isso que tô passando? Em que estou colocando energia? O que eu pretendo fazer ainda? O que eu ainda não fiz porque fiquei protelando, e agora tenho plena certeza que queria?
Tenho passado muitos momentos pensando no quanto eu queria estar podendo ver gente - mas quanto tempo reclamei que não tava tendo oportunidade de ficar comigo mesma, ou de fazer minhas coisas tranquila?
O isolamento me fez perceber de quem eu sinto mais falta, e DO QUE eu sinto falta. Me fez pensar em que tipo de relacionamentos eu estou construindo, e que tipo de trocas espero deles. Me fez ordenar para onde eu quero viajar, que experiências eu queria ter e não tive ainda - onde eu quero ir, coisas que quero comer. Processar o que estava esperando, e disso o que depende de mim.
Algumas vezes isso me leva à conclusões dolorosas, que eu não quero encarar. Outras vezes me dá alívio, porque admitir certas coisas em voz alta é complicado SIM, mas é melhor que continuar no escuro dentro da sua própria cabeça.
Em breve dá para colocar pra fora. No momento, eu só estou processando.
Comentários
Postar um comentário
Falaê!