Até o final do ano
Hoje, sentada no terraço, tomando vinho e conversando, calam e em paz pela primeira vez em muito tempo, tava pensando na situação em que nos encontramos - com seriedade mas clareza (menos desespero cego).
É isso aí, né? Pelo menos até o final do ano, vai ser desse jeito. Sair pouquíssimo. Nada de viajar. Nada de cinema. Nada de barzinho. É casa e casa, até onde der. Se a vacina vai sair mais ou menos daqui há um ano, a métrica "2021"ainda é otimista.
E o que fazer com esse ano? Esse ano sacana, que dizemos "perdido"? Não pode estar perdido. Estamos vivos. Estamos respirando. Estamos lutando. O que fazer com isso?
A ideia é tentar não se deixar abater (muito) pelo fato de que outros planos não estão andando. Não dá para viajar as vezes que eu planejei, mas dá para ver a filmografia daqueles diretores que eu havia separado. Não dá para ir para os parques quando tem um domingo de sol, mas dá pra colocar a cadeirinha no terraço, ligar o som, abrir a esteira, uma cerveja.
Não é todo dia que eu penso assim. Possivelmente, inclusive, eu só tô vendo o copo meio cheio porque estou antes do meio do meu ciclo, não tô deprimida nem quero matar ninguém ainda. Mas estou tentando. E vou tentar.
Preciso lembrar que isso vai passar, e que não posso ficar de braço cruzado e cara de bunda até tudo isso ir embora. Tenho livros para ler, filmes para assistir, àsanas para aprender, leitura budista para meditar, cursos para fazer.
Dói. Por vezes, a ideia principal é só não fazer porra nenhuma. Sobreviver a mais um dia é o máximo que eu consigo. Mas nem todos os dias são ruins assim, então é bom aproveitar os lapsos de coerência para levar as coisas adiante. Assim, devagarzinho mesmo. A ideia é só não ficar totalmente parada.
Não sei o que "o futuro reserva", com covid, política nacional indo pro saco, política internacional absolutamente maluca, estiagem, fascismo. Mas não adianta ficar com a cabeça lá, bora sentar e pensar no aqui.
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