O caminho mais fácil

Nós humanos tendemos a escolher o caminho "mais fácil", isso é fato.

Estou fazendo um curso de Neurociência, que veio com a pós-graduação que estou pagando, e aprender como o cérebro funciona nessas escolhas está sendo fascinante.

Em resumo, quando você faz algo que te dá prazer (seja um comida gostosa, uma sensação de alívio, prazer físico), o cérebro libera dopamina. Quanto mais vezes você repete a experiência, mais vezes aquela atitude está associada à sensação de bem-estar provocada por ela. E, surprise, o cérebro tem um mecanismo de automação onde ele SEMPRE escolhe o caminho que libera dopamina.

Melhor ainda: a parte do seu cérebro responsável pela escolhas racionais ("preciso terminar aquele relatório chato, porque ele paga minhas contas") ao invés do prazer ("ai, não vou fazer isso agora, posso fazer amanhã - que alívio pensar nisso"), que é o córtex pré-frontal, sofre "apagões" com a dopamina. Ou seja, quando você sente o prazer de determinada ação-escolha, a parte que devia te avisar que aquilo vai dar merda recebe um cala-boca.

Ah, e ele aprende por repetição. Quanto mais você faz aquela ação que libera dopamina, mais acostumado à ela ele fica, e mais ele faz automaticamente. Isso é escolher o caminho mais fácil. Para que desbravar uma mata à facão se ele pode ir pela estrada já pavimentada de tijolos amarelos?

Isso é muito explicativo. Não é só uma questão de força de vontade, é bioquímico.

O que a gente precisa fazer é transformar o que escolhemos racionalmente em uma fonte de prazer, para o cérebro libera dopamina ao pensar naquilo e ter aquilo como escolha principal.

É óbvio que falar é muito, muito fácil. Vai dizer para seu cérebro que é prazeroso não comer aquele brigadeiro maravilhoso. Como? Como transformar o "não comer o brigadeiro" numa fonte de prazer ainda maior do que comê-lo?

Eu tô nessa.

Eu quero muito mudar alguns hábitos. Quero que minhas ações correspondam ao que tenho em mente para mim. Quero que as minhas escolhas racionais, sobre consumo, vida pessoal, vida profissional, sejam implantadas na prática. Isso quer dizer ter que construir toda uma nova trilha de dopamina no meu cérebro, sobre 33 anos de práticas aleatórias. Ou seja, a briga vai ser boa!

Eu defino e redefino onde estou e onde quero chegar, mas parece sempre que não dura uma semana até eu quebrar todas as minhas resoluções em favor de alguma sensação de conforto para meu sistema. É como se a semana em que eu fiz "tudo certo" fosse uma corda sendo esticada, com peso de toneladas, e quando eu faço o que jurei que não ia fazer, eu tô soltando a corda inteira. Um alívio. Momentâneo, logicamente. Um tempo depois, a briga recomeça.

A ideia agora é trabalhar em cima disso, ponto por ponto, começando por alguns mais simples, intercalando com uns mais problemáticos. Eu sou uma experiência de mim mesma.

E como diria a Verônica Houhou: "Pratique seus estudos e estude sua prática".

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