Chegando na tampa
Pois é, acho que chegou.
Na tampa.
Para fugir de algum tipo de colapso nervoso/cerebral/wherever completo, eu acordei hoje com as decisões na cabeça. Não tava mais dando.
Cancelei todas as newsletter de livrarias e editoras.
Tirei o Instagram do meu celular - e pretendo desativar a conta essa semana.
Cancelei o Facebook - como eu só usava para atualizar as páginas, e a da Dicpro tem login próprio, e a do CRB eu não atualizo mais, praticamente não fez diferença.
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Cancelar o Instagram vai ser importante. É um gatilho forte para UM MONTE de coisas.
Ver os livros lançados, resenhas, fotos deles;
ver a comida maravilhosa de um monte de lugar que gosto de pedir, e "nem é caro, só hoje" - e só hoje virar quase todo dia;
ver imagens de decoração que me fazem sentir que tá faltando alguma coisa em casa, o tempo todo.
(nesses casos, o que fica óbvio é o alimento do meu impulso consumista e do meu sentimento de inadequação)
Ver notícias que me deprimem muito, o tempo todo, sobre as queimadas no Pantanal, política nacional, maus-tratos a animais;
acompanhar tretas, discussões, gente falando merda, pessoas racistas, homofóbicas, classistas; e os cancelamentos, os dedos na cara;
(aqui tem a disputa informacional - quanto de conteúdo estou consumindo, de que forma, e vindo de quem?
No final, o que me sobra? Me anestesiar com vídeos de cachorrinhos, memes, quadrinhos, desenhos.
OU SEJA, Instagram, nós temos um relacionamento tóxico, precisamos nos separar.
Sabe o que é engraçado? Comprei comida veg e pedi um sorvete junto. Meu primeiro impulso foi tirar foto e compartilhar nos stories, que o sorvete é vegano e custou só 5 pilas, e é delicinha, e "olha, me vejam comprar e tomar esse sorvete, pq tá calorzinho". PARA QUÊ, sem or? Quem precisa ficar sabendo que eu acabei de comprar um sorvete, seja ele um Ben & Jerry, seja o da maquininha ali da rua XV?
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Fora isso, a lista de coisas para fazer em casa, em MEU benefício e para MINHA paz, mas que vou protelando, por preguiça (e "só mais um pouquinho olhando esse perfil, tão interessante, que eu acabei de achar... ups, já tá tarde, não vou mexer em tanque semi-entupido agora")
Tudo isso são só os aspectos externos e mais palpáveis de algumas coisas que precisam ser modificadas e repensadas. No momento, até minhas leituras eu preciso rever, e ler algumas coisas mais leves nesse período de "pane cerebral". E meus hobbies, minha necessidade de trocar todos os móveis de lugar a cada mês. Minha falta de vontade de cozinhar para mim mesma (e olha que eu não cozinho mal!). Minha menstruação pirada na batatinha pela primeira vez na vida. Enfim, depois de seis meses de isolamento, eu engordei.
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Eu realmente sinto que cheguei num ponto limite. Não só nesses aspectos aí de cima, mas em meus relacionamentos e na forma que lido com eles, na minha permissividade com certas vontades, na falta de cuidado com coisas importantes (por pura preguiça e falta de vontade de fazer mais), nas falta de engajamento com o trabalho - que nem é tão ruim quanto eu sinto/faço parecer às vezes. Na necessidade de explicar minhas decisões para terceiro (medo do julgamento? necessidade de aceitação? ambas as anteriores?).
Gente, quanta coisa que fui deixando, deixando... e uma hora explode na cara. Ou implode na cabeça. Porque eu tento/tentei ser o que eu achava que devia, ao invés de me entender com quem eu sou e onde quero chegar realmente?
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NA TAM-PA. Transbordando. Chega, hora de esvaziar.
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