Um cadinho de paz
Esse ano tá sendo foda, todo mundo sabe. 2020 fudeu as estatísticas de anos ruins.
Além da pandemia, do isolamento, de ficar trancada em casa, todas as outras notícias (políticas, científicas, sociais; as mortes, as queimadas, a estiagem...).
Mas eu me mudei há quase 20 dias, e estou me obrigando a entrar em algum modo de calma. Não dá. Tive uma crise de esgotamento essa última semana e caí no choro no meio da rua, de puro cansaço.
O que me centra?
A casa tá uma graça. Precisa ser limpa, precisa ser arrumada, mas é minha, e está do meu jeito.
A cozinha está funcional, e estou tirando forças de diversos lugares para voltar a fazer minha comida todo dia (Ana Granziera, te amo).
Cuidar de mim virou operação de guerra; às vezes eu só quero largar tudo, incluindo eu mesma - mas preciso lembrar que sem eu, eu não vivo! Então é esforço para manter a rotina de yoga; preciso pensar em algum exercício aeróbico. O esforço de lembrar de guardar dinheiro para repor tudo que 2020 levou. De ler os livros que eu tenho em casa - sem biblioteca para pegar emprestado, e sem comprar todas as novidades que pipocam na minha cara.
Saí do Instagram, de novo.
Peço para a Alexa "Toca a playlist Don't worry, be harry", e saio cantarolando pela casa, com a Frida carregando a bola atrás de mim.
Um pouquinho de paz nesse canto e nessa cabeça, é tudo que eu preciso agora.

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