E a vida tem que ter um motivo?
Tava eu aqui, de novo, paquerando graduações, mestrados e doutorados. Pq? Pq estou com tempo. E tava aqui pensando em livros que quero ler, que queria comprar (queria, mas NÃO VOU, pq já tenho um zilhão em casa - sabe que percebi que tenho pena de ler os livros que tenho e ficar com poucos não lidos em casa? :P), e pensando "mas o que tô fazendo com toda a informação dos livros de não-ficção que tô lendo?"
Ao mesmo tempo em que eu queria estar contribuindo com alguma coisa no mundo, e sentindo que não tô, eu fico me perguntando "mas a gente TEM QUE contribuir pra alguma coisa?" E o que eu acho que poderia contribuir? Pq eu acho que alguém ia querer ler sobre decolonialismo explicado? Ou ver tutorial de crochê? Ou (insira aqui alguma das possíveis habilidades que você tem).
Me pergunto se não podia estar estudando e tentando publicar algo sobre o que eu já sei, como biblioteconomia. Se podia estar estudando algo que me interessa, como história e sociologia. Se escrever em um blog que tem 5 acessos por dia está realmente ajudando alguém - e eu não quero ser blogueira de livro, instagramer ou booktuber.
Pq eu sinto essa necessidade de compartilhar, ensinar ou contribuir de alguma forma com a já confusa massa de informação que tá corroendo nossos cérebros hoje?
Lendo o Maternidade, da Sheila Heti, ela comenta sobre a mulher ser feita para contribuir com a reprodução social - e quando não contribui, qual é a função dela? Me pergunto o quanto isso realmente influencia minha cabeça e a culpa cristã de não estar contribuindo ativamente com a superpopulação mundial pode estar me fazendo querer compensar com outros "objetivos válidos de vida".
"Só" viver minha vida não basta? Me ocupar do que me faz feliz e cuidar dos meus, não basta?
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