Um capítulo novo nesse fuzuê todo

No último sábado eu tomei uma decisão importante.

No último sábado eu coloquei meu DIU.

Não é de hoje que digo que não quero ter filhos. Não confio na humanidade, acho legal a ideia de criar uma criança, mas não a de soltá-la nesse mundo em que, sinceramente, nem eu quero estar às vezes. Acredito em colapso, em falta de água, em brasil indo pelo ralo, em escalada autoritária, em excassez... e não quero colocar uma criança nesse mundo.

E mesmo assim, eu passei por dois anos de leve dúvida. Em 14 de março de 2019 eu perdi uma gestação, com 9 semanas, a única que tive na vida, e totalmente não planejada - e isso me estremeceu um pouco. Passei um tempo repensando "não mesmo?". E eu nunca havia duvidado da minha decisão.

Então percebi diversas coisas sobre isso. Que eu não queria ser mãe, que eu queria ser a pessoa que alguém escolhe para ser a mãe de um filho. Que eu definitivamente não quero me responsabilizar por outra vida, se até com a minha eu tô aos trancos e barrancos. Que eu tenho tanto para ver, e entender, e eu não queria mudar meus planos para contemplar uma criança.

Veio A conversa, e a ideia de colocar o DIU. Por mim, faria uma laqueadura, inclusive.

Escolher isso foi um desbloqueio cerebral gigantesco. Assim, ENORME MESMO. Pq eu percebi que eu tinha parado meus planos por uma gravidez que eu imaginava que nem queria. Não começar uma faculdade, pois são três anos, no mínimo. Ou tentar um doutorado, pois: 4 anos. Não planejar viagens, pois, sabe lá se poderia ir. 

Eu estou com 34 anos (a serem completados na próxima quinta-feira). Se tudo der certo, só vou trocar o DIU aos 39. E depois aos 44. E a ideia é essa, não ter mais janela para passar por isso. E sabe o quê? Está sendo LIBERTADOR.

Agora eu penso "E agora, o que eu vou fazer com todo esse tempo livre para MIM?". E eu quero, quero fazer minha outra faculdade, quero pensar em pesquisa, quero estudar tarô, quero cozinhar, costurar, aprender mais sobre chás. Ver muito filme, ler muito livro, doar dinheiro para as causas que eu apoio, cuidar dos meus pais, da minha sobrinha. Eu quero tudo isso, e meu cérebro enfim de um "unlock" e está se permitindo pensar nisso tudo - e é delicioso.

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