Mais um, menos um

 Nessa quinta é meu aniversário, de novo. Na pandemia, de novo.

Ok que faz ANOS que não comemoro com mais gente além do F., mas em geral a gente sai. Sinto falta de sair. Ouvir um blues ao vivo no bar maravilhoso - mas caro, então virou lugar de datas especiais. Bater perna na rua.

O reflexo da pandemia é a vontade de gastar dinheiro sei nem com o quê. Fiquei olhando vitrine virtual pensando no que me dar de aniversário, e nem tem nada que eu queria. Assim, tem algumas coisas que eu preciso, como calças jeans. Ou até um sutiã daquela marca handmade que eu tô paquerando. Mas eu não PRECISO de nada, e meu cartão já tá lá no teto.

Quero consumir para sentir a vertigem do consumo, do tempo que levo para escolher, do prazer de receber, a dopamina de receber os correios. Mas não sinto que preciso de nada agora.

Na quinta-feira (hoje é segunda) eu faço 34 anos. 34. Aquela idade que eu pensava que eu ia ser super adulta e bem resolvida, com casa e carro, ou senão, com viagens e falando 3 idiomas, mas... não.

E a pandemia, o isolamento, essa merda, que deixa todo mundo doente, de uma forma ou de outra, e eu nem posso culpá-la pela sensação de fracasso ocasional que me abate ao perceber que eu tinha expectativas demais sobre mim mesma, e vontade de menos de me entender com isso.

Eu não me sinto uma pessoa melhor. Eu não sinto que as coisas tão servindo pra me levar pra algum lugar. Eu fico tentando me convencer que a vida é isso, que não tem um "motivo" ou "pq" eu estar viva, eu só tô, e é isso.

Ouvir as músicas que me trazem quentinho no coração. Respirar fundo. Comer alguma coisa gostosa. Ler quentinha no sofá, com um chazinho. Ajudar alguém. Ouvir a risada das pessoas. É o que vale.

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