Das reflexões da vida e da morte

 Eu tenho pensado muito sobre o futuro distópico - que eu tenho quase certeza que aguarda a humanidade, a não ser que ocorra um milagre real oficial - e juntado isso às diversas linhas de pensamento e de pensadores que já conheci.

Não tem jeito. Eu sempre vi estudos que pessoas que lêem mais, que têm mais informação, ficam mais deprimidas; e entendo perfeitamente o pq. É difícil ignorar, é difícil alienar, é difícil ignorar os indícios. Assim, se você for uma pessoa perdida em uma floresta sem conhecer nada de bichos e plantas, pode achar ela linda. Mas se você conhecer botânica, pode perceber que 90% daquelas plantas é venenosa; ou que todos os bichos fofos que cruzam por você são predadores. Isso te dá a chance de fazer um plano e sobreviver, mas também pode aumentar o desespero de perceber o entorno.

Eu tenho ficado muito pistola com minha falta de esperança total na humanidade. A cada pessoa que choro vendo fazer algo bom, tem um filho da puta negando vacina, batendo na mulher, defendendo transgênicos o mercado, vendendo gente.

Eu não sei se quero ver o futuro, mas não quero morrer, nem penso em tirar a minha vida. Porque tirar a sua vida é a última barreira. Tem gente que diz que é covardia, mas é livre arbítrio. Alguém falar que suicídio é APENAS covardia também pode argumentar que aborto é imoral, pelo mesmo motivo: tira uma vida (ok, aqui caberia um longuíssima discussão filosófica na qual eu não vou entrar no momento).

Essa semana o cara lá que ganha dinheiro explorando trabalhadores e acabando com qualquer tipo de comércio, mandou um foguete pra lua. A intenção é mudar de planeta um dia. Com o dinheiro que ele tem, ele podia acabar com a fome no mundo comprando o que comer. Com o poder que ele tem, poderia influenciar mercados inteiros. Mas se ele fizer isso, ele não vai acumular MAIS poder. Ele não estará sendo presidente, imperador, césar, do mundo. Indo para outro mundo não habitado e pagando tudo lá, ele vai ser o rei, o mandachuva. A questão dele é totalmente megalômana.

Voltando. Eu sempre penso no meu desespero futuro. Ver o mundo minguado de água, ver guerras e gente se matando por insumos, ver guerras civis onde vencerá o mais armado... eu tenho quase certeza que em algum ponto da minha vida eu verei isso. Eu sempre pensei: se um dia eu chegar num ponto de desespero de ver pessoas se matando por um galão dágua, eu tenho a opção de tirar minha vida e sair desse circo. Pode parecer mórbido, mas não é, acreditem. Mas: e quem já vê isso HOJE? E as pessoas pras quais essa JÁ É a realidade? Refugiados, fugitivos, pessoas que tiveram a má sorte de nascer em países fudidos propositalmente (como o Haiti).

(mas te dizer que em parte eu entendo o Bezzos. Mesmo que ele tenha dinheiro para salvar a humanidade aqui, vai ter sempre alguém pra puxar uma guerra, um dono da Riachuelo pra falar que os ricos não podem ficar menos ricos, e assim por diante. Pra se livrar deles, só saindo do planeta mesmo...)

Aí lendo o último livro do Foer (Nós somos o clima - recomendo o livro fortemente; mas ele chapisca a verdade de cimento e esfrega na cara até sangrar), eu tive um insight: por isso que as pessoas vão para guerrilhas, por isso que protestantes morrem por suas causas. !!! . Se eu posso me matar por não aguentar mais ver o mundo assim, porque não me engajar em pelo menos gritar pro mundo a merda, se vou perder a vida de qualquer jeito? Se já planejo fazer uma retirada estratégica, porque não por "uma causa"?

Se alguém ler isso, não se preocupe que não tô com instintos suicidas. Eu ainda quero ver onde o mundo vai parar, onde isso tudo vai levar, onde a coisa vai ficar feia, onde ela pode ser bonita.

Mas meu cérebro tá coçando: na apatia geral, na animação, em ter ou não esperanças, em saber que o mundo possivelmente não vai mudar, mas vai.

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