Uma calmaria

 Ontem tivemos a meditação da Lua Cheia, em conjunto, mediada pela Dora. Fomos 10 mulheres. A Dorinha sempre pede pra gente começar falando de nós, e achei muito interessante quando todas começamos com "esses últimos dois meses foram FODA" e mais ainda, "mas desde que virou a lunação, deu uma aliviada".

Eu estou exatamente assim. Parece que desde final de maio a coisa anda pegando fogo; tiro, porrada e bomba, mantendo a cabeça pra fora da água pq o mar tá vindo dando um caldo em cima do outro. Mas desde que começou a sétima lunação, mais pro início do mês, o mar deu uma acalmada.

Não sei se foi a MINHA decisão de tomar as rédeas das coisas (levemente inconsciente, na verdade) ou se tem alguma coisa influenciando mesmo, mas parece que dei uma destravada. Não tô me boicotando, e consigo enxergar meus gargalos com mais clareza. Como se alguém tivesse apontado uma lanterna pro chão escuro, e eu esteja conseguindo ver as pedras e buracos no caminho: não é que eles tenham sido removidos, mas agora eu consigo andar em torno, ao invés de bater e quebrar o nariz no chão.

Não ficou tudo um mar de rosas. As coisas que tô vendo são coisas que machucam, que me doem, que me fazem pensar (inclusive pensar se elas têm jeito). Mas é mais fácil você cuidar do machucado ou estancar a hemorragia quando você sabe que ela tá acontecendo, e onde.

Eu consigo ver o que têm me feito mal. O que eu estava esperando à toa, o que eu me cobro e cobro dos outros, o que me dói porque não é meu e eu estava tentando carregar. O que ainda me dói pq não é meu, mas eu fiz tanta força para que fosse, tentei encaixar o quadrado no círculo, queria que aquela ideia coubesse em mim (ou eu nela). Mas não cabe, beibe. É tipo comprar uma roupa tamanho PPP vestindo 44. Se não te cabe, é pq não é pra vc.

E ter esse insight tirou meia tonelada das minhas costas.

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