Não dá pra desesperar... eu acho

 Já tem um tempo que venho falando sobre a situação nacional. Política, econômica e social.

Bem, hoje a tarifa de luz aumentou em trocentos porcento (ao todo, cerca de 50%).Continuamos sem previsões de chuva, já quase não tem água para uso (imagina no final do ano e até a "volta das chuvas" lá pra janeiro - se voltarem). Por isso, não tem água para prover energia.

Virão apagões. Tenho medo de pensar nos animais da pecuária morrendo de sede. Das famílias mais pobres, em contexto pandêmico, se fudendo pra pagar as contas.

Eu não sei lidar com crises dessa magnitude. Penso em todas as crises pelas quais a humanidade já passou, em todas as guerras que passam, em lugares muito mais ferrados, mas ainda assim, minha ansiedade tem BERRADO. Tenho dormido pouquíssimo, tido sonhos estranhos e pesadelos. A cabeça cheia de "e se".

Metade dos meus livros em casa é sobre política e aspectos sociais - e eu não tenho conseguido sequer abri-los. Dói.

Como fazer para manter a cabeça no lugar? Como pensar que isso tudo pode (talvez?) passar num futuro médio? Como lidar com o fato que pode só piorar daqui por diante? Qual meu plano de contingência para lidar com o mundo enquanto lido comigo mesma?

O desespero é palpável às vezes. Tento me controlar, tento respirar, tento desligar, mas é tão difícil, quase impossível. As redes sociais que pouquíssimas vezes são um escapismo, têm sido um gatilho para mais loucura mental. Não consigo me preocupar com coisas como "preciso entregar o relatório no trabalho" quando meu cérebro tá parado em "em breve não vai ter luz, e não vai ter trabalho".

Tava sentada na sala tentando me concentrar em um dos livros parados na metade, mas não deu. Levantei a bunda e vim escrever isso (depois de ter apagado todas as lâmpadas da casa e me perguntado o que fica em stand by que eu posso desligar).

Às vezes eu daria um braço para ser uma pessoa mais "normal". Para obliterar, ignorar, me alienar. De tudo.

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