Desquerências #1 (ou, a lista do que NÃO preciso)

- máquina de café de cápsulas

- qualquer eletrodoméstico (todos os meus estão funcionando)

- livros. sério. eu preciso PARAR um pouco e ler o que tem em casa.

- bebidas alcóolicas quentes (daquelas que ficam no bar, esperando)

- móveis (todos os meus estão úteis e funcionais)

- cosméticos que ainda tenho em casa ("para testar" e não para repor)

- canecas

- louça de cerâmica artesanal (quero muito, mas tenho louças mais que suficientes)

- todas as coisas "velhas" que ficam bonitas na foto ou evocam um estilo de vida slow: máquina de escrever, (mais) cadernos variados, vitrola (e comprar vitrola = comprar discos de vinil).


Olhando a lista, fica notável que quase tudo que "quero" comprar é uma questão de "ostentação de estilo de vida", muito influenciada pelas redes, especialmente pelo instagram.

É você chegar em casa depois do trabalho exausto, e olhar no Instagram aquela pessoas sentada numa pilha de almofadas, com uma caneca (de cerâmica artesanal, óbvio) na mão, uns livros ao lado, e você olha e pensa "olha que paz, olha que pessoa que parece relaxada e centrada... pq eu tô tão exausta?". E você quer COMPRAR essa paz. Esse estilo de vida. Posso comprar almofadas? Posso comprar uma caneca linda daquela? E um daqueles livros da pilha, poxa, eu sempre quis ler... E você mergulha na busca de encontrar a paz daquelas fotos... comprando.

E quando a caneca chega em casa e vc percebe que "não pode tomar café a noite e não gosta de chá"; e a pilha de almofadas junta poeira, são ruins de limpar e fazem mal para a sua coluna; os livros vão pra pilha não-tão-pequena de leituras próximas. Você senta na cadeira mesmo e olha o Instagram, e tem a foto da pessoa meditando num mat, com umas imagens de buda, e, olha lá, ela "parece tão em paz"... e tudo de novo.

E mesmo quando a pessoa vê a foto de um ambiente minimalista, por vezes o pensamento é "nossa, que lindo.. se eu me livrar do meu sofá eu posso comprar um desse!"

Eu me pego sonhando acordada, com frequência, em ter um espaço cheio de plantas, almofadas, poltronas, vitrolinha, discos e discos para ouvir, muuuuitos livros físicos em estantes lindinhas, vários que eu ainda não terei lido... e velas no frio, e cortinas esvoaçantes no calor... e uma despensa cheia de potes organizadinhos, e chás, e... CARALHO CARA!

Aí olho aqueles apês mini e casas minimalistas... com tão pouca coisa pra juntar poeira, e para ocupar a cabeça, e para fazer a gente gastar dinheiro, e acho tão lindos e práticos... e estéreis. Cadê o meio termo?

AHHHHH! Também não gosto de posts e listas do tipo "25 LUGARES QUE VOCÊ PRE-CI-SA CONHECER" ou "Se você gostou de Harry Potter você PRECISA ler esses".

Aff.

Eu não PRECISO de nada disso, tá entendendo? PRECISO. 

Sabe do que eu preciso? Ar, água, comida, teto, trabalho, conexão, alguma diversão, propósito.

Sabe do que eu não preciso? Ficar bitolada com listas e mais listas, querendo acompanhar, querendo comprar, querendo ter, mudando de ideia a cada publicidade, comparação e carência emocional.

O que vou fazer com tudo isso? Ainda tô pensando e decidindo.


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