STUFF.

Tenho olhado à minha volta em casa e sentido que as coisas me têm, e não o contrário.

Cada livro que eu não li (e possivelmente não vou ler) na estante me acusa de estar ali à toa. Junta poeira e me cobra um tempo, disposição ou vontade mental que eu não quero ou não tenho.

A máquina de costura, que foi presente, me perguntando quando eu vou tirar um tempo para treinar e aprender a mexer - enquanto ocupa espaço com um móvel próprio e junta poeira, e resseca a correia.

As canetas coloridas que não uso, as rolhas de vinho já bebidos que eu guardo num pote sobre o bufê, as roupas que não combinam mais comigo e ficam me mostrando lá do guarda roupa alguém que eu não sou mais (ou que nunca fui, ou não quero ser).

Em resumo: elas estão me oprimindo.

Mesmo assim, não é fácil me livrar delas. Livros têm enorme carga sobre minha mentalidade, e itens de decoração me lembram a casa que eu queria ter, baseada em instagram, pinterest e decorações alheias.

Eu tenho móveis para guardar as coisas, e eu nem sei se as quero - as coisas e os móveis.

Eu tenho medo de fazer uma limpeza e ficar sem. Só não sei se é sem a coisa ou sem a parte de mim que queria ou gostava da coisa...


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