Um ano depois da (re)programação

Amanhã eu faço um ano de SEDAP. Um ano no setor novo. Um ano que eu escrevi a postagem "Re-programar". Lá eu coloco, de maneira muito explícita, meu medo de trocar de área, para um trabalho tão mais pesado, tão mais desafiador.

Pensando nesse último ano, volto aqui para reler essa postagem e pensar "E aí, o que deu?"

Bom, algumas coisas deram muito certo. Eu realmente gosto do meu trabalho, sinto sua importância. Aprendi pra CARALHO, coisas que achei que nunca estudaria e que até me assustam quando eu percebo que SEI. Tenho uma equipe muito legal, com pessoas que me fazem rir, com quem posso contar.

Mas a parte pessoal deu exatamente a descacetada que eu previa, e isso tá me fudendo muito.

Até o momento em que eu tive que virar chefe por situações do destino - o meu então chefe saiu de licença e simplesmente não voltou mais - estava tudo ótimo. Eu adoro lidar com a parte operacional, e fechar processos e organizar a "casa" da SEDAP me deixava deveras satisfeita. Eu cuidava das plantas, lia, trazia algum trabalho pra casa, mas tava happy.

E então, o baque. Eu não queria ser chefe. Não queria lidar com a parte e as decisões administrativas. Não queria ser a pessoa que manda e organiza, queria ser mandada e fazer o meu.

Os últimos seis meses foram um borrão. Toda a minha rotina recém estabelecida foi pro buraco. E eu preciso de rotina para funcionar bem, isso não é novidade.

Mais de metade das minhas plantas morreram. Minhas samambaias estão horrorosas, tadinhas, cheias de folhas secas, pq eu simplesmente esqueço de cuidar, e molhar. Já não faço yoga, já não medito. Minha energia está no pé. Nunca comi tão mal depois de adulta como estou comendo agora, com carne, com leite, com queijo, frituras. Mesmo tendo entrado na academia, e isso ser um milagre (mais milagre ainda eu ainda não ter desistido!), minha vida está de pernas pro ar.

E isso cansa. Eu estou cansada de sentir que tô sobrevivendo e não vivendo. De não conseguir manter uma rotina por puro cansaço, por achar que não vale a pena, por chegar tão mentalmente exausta que não consigo ver um filme completo, escrever no blog, cozinhar para mim.

É como se a vida não valesse o esforço que tem cobrado. Tive um piripaque no final de abril, tive que tirar férias forçadas, o corpo não aguentou.

Sinto falta da biblioteca e do trabalho de lá, sinto falta de emprestar livros, de conversar com alunos, atender esse público que me faz sorrir. Tive que sair da biblioteca e rodar por alguns anos antes de entender que o que eu achava de tão ruim lá (a chefia) pode simplesmente ser ignorado com algua dose de esforço.

Eu estou realmente pensando em como fazer para manter meu cargo atual e ainda sentir que estou vivendo. A falta de energia e vontade é um círculo vicioso: eu como besteira para "me recompensar", ela drena minha energia, aí não faço exercício e não tiro o monte de gordura e açúcar do meu sistema; chego em casa exausta e não cuido das plantas, que morrem e me fazem sentir péssima e com carga mental altíssima por não estar cuidando delas; Aí como mais besteira para ficar "feliz", minha dopamina sobe e desce como em montanha russa. Não tenho vontade de fazer yoga e nem de meditar, "não dá tempo, não cabe no dia"... e vai tudo ficando cada vez mais difícil.


Eu preciso parar, pensar e re-re-programar. De novo. A quantidade de vezes que eu tive que colocar meu navio na rota certa, não tá no gibi... mas a opção é qual? desistir? ainda não, beibe... ainda não.

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