A angústia de todo ano
Todo ano, no início de janeiro, eu entro nesse estado de angústia.
Como sei disso? Eu olhei minhas agendas dos últimos três anos, e minhas anotações dessa época são parecidas, todas as vezes.
De onde vem? O que come? Como se consolida?
Eu acho (leia bem, ACHO) que tem haver com todas as possibilidades que um novo ano abre. Sabe aquela energia "transformadora", todas as promessas de ano novo, tudo que você quer mudar? Bate no meu cérebro como um paralelepípedo. "Mas e agora, o que eu quero? O que eu faço? Quero aprender a costurar? bordar? falar inglês? desenhar? dançar? e se eu escolher alguma coisa inútil? e se não valer a pena? e se me cansar sem eu ter colhido nenhum benefício? Mas também não quero ficar sem fazer nada, ver a vida passar sentindo que não fiz nada. Mas vou fazer o que?"
Isso entra em loop no meu cérebro. Fico com dor de cabeça, trincando o maxilar, semi desesperada.
O que eu quero fazer? NÃO SEI.
Como quero gastar meu tempo, além de trabalhar e arrumar a casa? NÃO SEI.
O que me dá prazer em fazer? NÃO SEI.
Parece que não dá tempo. Parece que meus pés se enfiam pelas mãos de forma automática e permanente. Me dói, me incomoda, me deixa ansiosa - e aí mora a angústia. Ela cresce a ponto de me deixar sem ar. Eu quero resolver as coisas PRA ONTEM. Quero "mudar minha vida" pra ontem. Quero ser tudo que eu posso ser, mesmo sem saber o que é isso, fazer tudo que puder fazer, mas o quê?
Parece besta. E é. Dá curto no cérebro, paralisa as pernas, hiperventila.
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