Mudança. Mudança. Mudança.
Desmontar uma casa é um trabalho psicológico fortíssimo. Fazer as malas já é difícil, fazer uma MUDANÇA é um trabalho hercúleo.
Se mudar, mesmo que seja para o mesmo prédio, a mesma rua, o mesmo bairro, tem seu impacto. Você está saindo do lugar que é seu espaço, seu refúgio, e se adaptando a novas portas, novas janelas, novos móveis.
Não me entenda mal, eu adoro mudanças. Eu não consigo passar mais que dois meses sem trocar um móvel de lugar.
E eu acho que é isso que tá me assustando: dividir um espaço de novo. Não ter mais a total decisão sobre o que vai onde, qual cor vai na parede, o que fica de decoração. Dividir a ideia do que será feito de janta, do tapete que será comprado, quantas almofadas ficam no sofá.
Foram 4 anos decidindo tudo por mim. 4 anos em que acumulei móveis, comprei (muita) decoração, pintei a parede de verde, fiquei sem lavar a louça o tempo que eu quis, pq só tinha EU. 4 anos em que cada coisa foi escolhida e comprada à dedo, em que eu chegava em casa e minha única obrigação era a que eu quisesse. Passar aspirador, lavar roupa, trocar toalhas. Comprar comida. Ouvir música, acender incenso de qualquer cheiro. Dormir com a cachorra.
Eu estou saudosista, já. Esse período foi muito importante na minha vida. MUITO. Tenho esperança? Sim. Mas não dá para negar que é um fechamento de fase dolorido. Não dá para negar que DÓI. Que eu preciso lidar com as coisas um dia de cada vez, respirando fundo.
E que o novo se abra pra mim, como eu tenho que me abrir para o novo.
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