Destaques do livro "Aurora: o despertar da mulher exausta"

 - A ansiedade, por sua vez, é a experiência de estresse contínuo, que é desproporcional ao estressor e continua muito depois que ele desaparece.

- Pode até parecer bobo à primeira vista, mas boa parte das vezes em que você diz que teve um dia ruim, o que aconteceu foram cinco minutos de estresse em um ciclo mal resolvido que destruiu o restante do dia.

- A ansiedade mente para a gente. Faz achar que nosso valor está diretamente conectado a conquistas profissionais, faz a gente confundir exaustão com falta de força de vontade.

Minha imaginação atua como parceira da minha ansiedade ao visualizar cenários nítidos de tragédias iminentes.

- Em uma sociedade em que a produtividade se tornou tóxica, muitas vezes nossa única autorização para pausar é quando alguma doença nos enfraquece. Por isso, precisamos de acolhimento externo para lembrar que a saúde emocional importa tanto ou mais do que a física.

- ...percebi que o que eu tinha não era falta de tempo para fazer tudo, mas coisas demais para fazer com meu tempo.

- ...o burnout acontece quando você faz de conta que a energia mental utilizada para tantas ações não se esgotará. Ela é finita, e você sente isso quando chega ao limite.

- Ao mesmo tempo que nos sentimos gratas por ter muitas informações à disposição, estamos praticamente unidas pelo processo de infoxicação, uma forma de intoxicação pelo limbo em que somos superestimuladas por informações, notícias, notificações, e-mails, memes, likes e mensagens, destruindo nossa capacidade de prestar atenção em uma tarefa sem sermos distraídas.

- A necessidade não só de trabalhar, mas de divulgar seu trabalho constantemente e monetizar todo e qualquer tipo de hobby destruiu o conceito de repouso, transformando-o em uma transgressão por excelência.

- Estamos com tanto barulho interno, que não sabemos diferenciar o que amamos fazer do que fazemos no automático.

- O silêncio feminino se tornou tão interessante para a manutenção do patriarcado que até hoje perduram as ideias de que mulheres que falam demais são pouco elegantes e que uma mulher chique é aquela que fala pouco e, preferencialmente, baixo.

Sem dúvida, a empatia é uma das qualidades mais admiráveis e essenciais para as relações saudáveis. Porém, se cada uma de nós carrega uma mochila emocional, o problema do outro que tomamos como nosso ocupa espaço e, eventualmente, essa bagagem pode ultrapassar o limite permitido pelo corpo. Você sabe dizer qual é o seu? Será que já o ultrapassou? A empatia se torna cara quando você a sente por todo mundo, menos por você mesma.

- A grande tristeza da boazinha é perceber que, mesmo sendo tudo o que achava que queriam que ela fosse, ela não agradou.

- Saber pedir desculpas é algo bonito, a capacidade de refletir pelo que fizemos e nos retratar com o outro. Mas, afinal, quando em nossa construção de identidade a culpa virou parte da nossa comunicação mais básica?

- Muitas vezes, pedimos desculpas porque internamente não achamos que merecemos ocupar alguns lugares, e a qualquer falha mínima poderíamos enfim ser desmascaradas e descartadas. Usamos o termo “desculpas” como uma expressão do nosso medo, servindo mais como um pedido de permissão do que de perdão.

- Saber dizer não e não sofrer com isso é dizer sim para a nossa capacidade de estabelecer limites: a partir daqui, não vou. É também um momento crucial para não cairmos na cilada da mulher “sempre de boa”. Afinal, as únicas pessoas que ficam incomodadas quando você estabelece limites são aquelas que se beneficiaram quando você não os tinha.

Quando não está acostumada a tratar suas necessidades como prioridades, colocar-se em primeiro lugar pode parecer egoísmo.

- ...por que essa necessidade de se explicar? Para Camila, tem a ver com tentar ser agradável o tempo todo, com controlar o julgamento que fazem sobre nós.

- ...que o exercício de ódio, diferente da crítica, não está ali para ajudá-la a construir; na verdade, está mais para destruir. É por isso que dói e, muitas vezes, é um golaço nas mulheres que se sentem impostoras: talvez eu não seja boa mesmo, talvez minha vida seja uma piada, talvez eu também me odeie. É fácil cair na armadilha de gastar energia na tentativa frustrada de fazer os odiadores de plantão passarem a gostar do que você faz ou de quem você é.

- "De vez em quando, recebo elogios por algo que realizei e me apresso em diminuir a importância daquilo. Tenho medo de que as pessoas descubram que não sou tão capaz quanto elas pensam. Quando me comparo, para mim fica claro que sou menos inteligente, capaz e merecedora do que as pessoas ao meu redor. Sinto que meu sucesso se deve a algum tipo de sorte. Às vezes, acho que sou uma impostora.”

A Perfeccionista sente-se impostora porque sua necessidade de controle e perfeição a faz acreditar que não é tão inteligente/capaz/amável quanto os outros pensam que é.

Especialista sente-se impostora porque não sabe absolutamente tudo sobre algum assunto tópico, por isso acredita ser uma farsa quando emite uma opinião. Sempre estuda, corre atrás, mas nunca se sente verdadeiramente especialista no assunto.

Tentar ignorar a dor no momento em que deve ser sentida pode nos fazer carregá-la conosco por muito mais tempo.

A dor de quando algo dá errado vem acompanhada da sensação de humilhação e constrangimento que é dar a notícia para as outras pessoas.

- As vozes que alugam um apartamento na nossa cabeça criam um sistema autodestrutivo, e até viciante, que evita ao máximo o inevitável nesta vida: vamos errar, somos cheias de imperfeições, julgamentos externos estão fora do nosso controle, e a vergonha a gente passa no crédito e no débito.

- Será que você procrastina porque é preguiçosa? Ou procrastina porque está com medo de não entregar a tarefa tão bem quanto seu perfeccionismo cobra, e então se autossabota imaginando situações em que enfim descobrem que você não é boa o suficiente, permitindo que o medo a paralise a ponto de te impedir de fazer aquilo que deveria?

- Apesar de já ter sido uma característica a ser esbanjada em entrevistas de emprego, o perfeccionismo é uma das facetas mais cruéis da autossabotagem. Afinal, ele se baseia na triste crença de que, se não alcançarmos as metas preestabelecidas pela sociedade ou até por nós mesmas, nos tornaremos fracassadas. A questão não é ter padrões elevados ou objetivos desafiadores, e sim procurar o pior em nós.

- ...duro tomar a decisão de desistir de algo porque vivemos em uma sociedade que romantiza a perseverança a qualquer custo.

- ...o peso de decepcionar os outros era grande demais para deixá-la agir. “Eu só consegui tomar essa decisão quando tive um burnout. Nesse momento, a saúde falou mais alto e me ajudou a tomar a decisão que eu queria tomar dois anos atrás e não tinha coragem. Foi preciso realmente ficar de cama para eu conseguir decidir, o que me deixou muito puta: por que esperei ficar nesse estado para simplesmente decidir?”, ela contou.

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