Mofinho na janela
Minha mesa de notebook fica em frente a uma das janelas da casa. Desde que mudei pra cá, eu olho a janela e penso "preciso limpar essa janela".
Veja bem, Curitiba. Com o tempo maravilhoso que faz aqui, até a janela MOFA. Sim, mini-mofinhos que se espalham como aquelas imagens de janela congelando em filmes estadunidenses de natal. A janela, já há tempos sem ser limpa, estava com vários mini-mofinhos, que me incomodavam.
Então, desde que mudei (vai fazer dois meses) eu coloco na minha agenda, na lista semanal de afazeres, "limpar a janela do meu escritório", junto com uma seleção de coisas - na maior parte das vezes mais trabalhosas do que limpar a janela.
Mas eu limpava? Não. E isso me incomodava deveras. Toda vez que eu passava em frente à janela mofadinha, eu falava "ixi, ainda não limpei a janela". Toda vez que fazia as listas da semana na agenda, lá vinha o incômodo "limpar a janela". Às vezes eu tava só deitada lendo um livro, e vinha à minha mente "ainda não limpei a janela".
Percebe-se que passei mais de mês pensando quase diariamente em tirar o mofinho da praga da janela.
Hoje eu acordei minimamente bem humorada, fiz meus exercícios, tomei meu café (e meu remedinho). Fui ali no armário, peguei o limpador e passei na janela. 4 minutos. Em 4 minutos eu tirei da cabeça o que tava me apurrinhando há mais de mês (inclusive, aproveitei e passei em todas as outras janelas).
Aí vem a pergunta que ilustra essa humilde crônica da vida real: mais quantas coisas eu já podia ter resolvido, muitas vezes em alguns minutos, ao invés de passar meses arrastando uma carga mental que eu não preciso?
Muita filosofia para um mofinho na janela.
Comentários
Postar um comentário
Falaê!