De novo, na livraria
A cabeça ficou cheia, ficou difícil de pensar, e o que eu faço? Corro para a livraria mais próxima. Feliz que abriu a livraria Telaranha, que é na rua, no centro, tem café, lugar pra sentar, e um monte de livros fora do circuito comercial das megastores, que eu não acho em lugar praticamente nenhum.
Tenho andado às voltas com expressão artística, com formas de me comunicar, de colocar pra fora, e como fazer isso - tanto identificando o que quero expressar quanto COMO quero expressar. Vir nesses lugares da um respiro para minha cabeça, um pouco de inspiração, um pouco de ver o que as pessoas fazem.
Tem quem faça cadernos, tem quem escreva zines, livros grandes e pequenos, livros de fotografias, livros com diferentes estruturas. Tem desenhos e rabiscos, e tem o cheiro de café flutuando no lugar, e mesmo que eu não esteja podendo tomar café, o cheiro é reconfortante.
Às vezes eu acho que vou explodir, que os pensamentos que não consigo colocar para fora sairão pelos meus ouvidos, escorrendo e fazendo lambança no meu casaquinho favorito.
Quero comprar os livros, quero um de cada. Não tenho dinheiro para isso, e mesmo que compre, não tenho tempo para tanto. Escolher o que ler é quase uma tortura, assim como escolher o que NÃO ler, o que deixar de fora, do que eu NÃO vou me alimentar. Tenho medo de deixar algo importante de fora, alguma coisa que poderia me dar um clique, mudar meu cérebro, minha forma de encarar o mundo, a vida, algum aspecto.
Mas enquanto isso, eu tomo chocolate. E respiro.
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