Calamidades e catastrofismos

Eu tenho tendência ao catastrofismo. Minha ansiedade sempre me empurra para o desespero do desconhecido, onde nada de bom acontece, apenas e sempre o pior caminho possível é válido. Eu consigo passar algum tempo fugindo da sensação de desespero, lembrando a mim mesma que nada é permanente e nada está sob controle e especialmente se ficar longe dos tele e info jornais.
Mas às vezes o gatilho é maior que minha capacidade de esquiva. Eu consegui passar pelas guerras da Ucrânia e da Palestina sem grandes problemas, permanecendo afastada das mídias, obviamente. E também pq guerra, para mim, é totalmente e completa filhadaputagem de seres humanos políticos e sistema capitalista com vontades escusas.
Desastres naturais me tiram do eixo. Meus maiores pesadelos envolvem mudança climática e devastação, animais e humanos morrendo de fome, sede, calor. Grandes incêndios, furações, e no caso de agora, a enchente no Rio Grande do Sul. Todos os meus neurônios gritam sobre a mudança climática, meu cérebro se vê lá no meio, desesperada sobre como levar e manter meus cachorros, perdendo livros, documentos, minha dignidade e minha identidade.
Por mais que eu ajude como posso, doe alguma coisa, eu me sinto culpada. Culpada por não ter sido atingida. Culpada pq posso entrar numa livraria e comprar um livro sem me preocupar em recuperar uma casa, e toda uma vida afundada com ela. Culpada por estar pensando em qual filme eu vou ver mais tarde, ao invés de estar lutando pela minha sobrevivência.
É ridículo, sentir tanta culpa e tristeza por algo que foge completamente da minha alçada, mas às vezes a sensação me pega de guarda baixa, e eu não consigo NÃO sentir.

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