Passei!... pela ansiedade

 Em maio desse ano eu me inscrevi em uma pós-graduação na minha área, com vagas específicas para pessoas de Informação (bibliotecários, arquivistas, museólogos e afins). É uma pós gratuita, de uma universidade federal, cujas aulas serão às sextas à noite e sábados o dia todo, a cada 15 dias.

Esse arranjo por si só já me dá nervoso: perder dois finais de semana por mês, não poder sair, ver um filme, passear no sábado, e já na segunda-feira trabalhar de novo, olha que peso. Fujo desse tipo de compromisso há tempos (talvez desde o mestrado, que terminou em 2016).

Mas me inscrevi. Foi num impulso, antes que eu desistisse. Estando fora de unidades de informação desde 2018, achei que podia ser interessante para me atualizar na área (especialmente pq o foco dessa pós é em inovação), quem sabe voltar para a biblioteca em algum momento.

Me inscrevi, e deixei pra lá.

Sexta-feira, 19/07, sai o resultado dessa pós-graduação: passei em 7º lugar, entre 400 inscritos. Meu primeiro sentimento foi o de orgulho, "olha, eu ainda sou inteligente" (eu me sinto pouco inteligente quando passo muito tempo sem estudar), "olha, eu ainda tenho capacidade". Mas, concomitante, quase imediato, veio ela. ELA. A Ansiedade.

Passei o sábado sacudindo as pernas e sem conseguir manter meu humor estável. Pensando no que eu teria que organizar para fazer 18 meses de aula, se preciso comprar caderno, se só o computador é suficiente, se eu queria um tablet com caneta (sempre que penso em voltar a estudar penso nele, por poder escrever à mão ao mesmo tempo em que já guardo o material digitalmente).

O segundo pensamento foi em arrumar TUDO. Tudo começou a me incomodar: a quantidade de casacos que eu tenho, os livros não lidos que estão na estante, as roupas para doar que estão em uma sacola e não sei para onde mandar. O impulso sempre é de arrumar as coisas. Como se arrumar do lado de fora fosse organizar a bagunça do lado de dentro. Se eu jogar fora o que não serve, guardar o que não uso, doar o que não preciso, vai ficar tudo bem, certo? CERTO? Se eu parar de acumular coisas que não tenho tempo de usar, se eu achar o que fazer com o lápis de cor novo que troquei na livraria Curitiba, se eu doar os post-its que estão sobrando e eu não uso, vai ficar tudo bem, não vai?

Pensei em tomar um rivotril. Pensei em abrir a janela e gritar. Pensei em jogar livros fora. Desligar meu kindle. Excluir meu instagram. Varrer a casa, que não limpei essa semana. Me ocupar para extravasar, desocupar o cérebro, mas ele ainda está doendo, os pensamento correndo por todos os lados, uma gritaria, uma barulheira. O sentimento que não vou dar conta, que não vale, que não sou capaz de lidar com tudo ao mesmo tempo.

Meu psicólogo vai ter muito para ouvir na próxima quinta-feira...

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