Youtube e outras redes

Eu abri o Vocêtube aqui no trabalho para colocar uma musiquinha. A ideia era achar alguma coisa para ficar de ruído de fundo enquanto me concentro (tento me concentrar, pelo menos).

Os primeiros vídeos que aparecem são de booktubers - eu assisti UM sobre a treta da editora Todavia, e o algoritmo já me jogou nessa bolha. Muitos. Veja bem, adoro a ideia de pessoas falando sobre livros, mas nunca tive paciência de ouvir o povo soltando opiniões sobre as obras, especialmente se são aquelas que eu nem passo perto de ler.

Depois são vlogs. Vlogs silenciosos (a pessoa não fala, é apenas música e legendas para as cenas), vlogs que acompanham rotinas diárias, com muita cena de gente tomando café em cafeterias fofas, fazendo exercício, comendo coisas gostosas, lendo. E vídeos de influencers de estilo de vida, geralmente falando de minimalismo, de "como eu saí das redes sociais", X dias para mudar de vida. Alguns são em tom de esporro, outros de auto ajuda, até algum vídeo do Karnal aparece pelo meio.

Eu até gosto de alguns desses conteúdos. Mas, olha que coisa, esse conteúdo também vicia! Além de me fazer desenvolver um enorme sentimento de inadequação, de que as minhas coisas não estão como deviam, que a minha vida não está andando, ou que eu não sei aproveitá-la, ou que eu estou fazendo mesmo é tudo errado.
A comparação com o que tá na tela é inevitável, mesmo eu sabendo que aqui ali está formatado para ficar bonito, que as pessoas ensaiam seus vídeos, que ver uma casa de 30m² em Tóquio não vai me acrescentar nada (só matar a curiosidade de ver uma casa de 30m² em Tóquio).

Eu sempre quero sair do YT com um kit para fazer velas, fugir correndo pra me esconder no meio do mato, ler sempre com uma caneca de chá na mão, redecorar a casa inteira...

Eu preciso me distanciar. YT, IG, PT, essas três redes tão sugando demais a minha atenção, minha concentração e até minha possibilidade de ficar feliz comgo.

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