Ontem

 (Livro Estavelmente instável, de Marcela Scheid)


Sempre me sinto culpada por me permitir o

descontrole. Seja ele qual for.

No dia seguinte ela aparece, a culpa.

E a cabeça frita: "Não deveria ter feito isso,

não deveria ter dito aquilo."


Confesso que ando mais rígida que

o normal. Passei meses não me permitindo nada.

M-E-S-E-S.

Nada que fosse divertido.

Nada que fugisse do meu controle.

Mas quando a gente se priva de forma radical,

o outro lado extremo vem com tudo também.


E eu ainda não aprendi essa coisa de equilíbrio.

Meu ascendente em libra é puramente ornamental.

Parece. Queria ser meio-termo. Meio do caminho.

Meio. Mas não sou.

E isso é mais uma forma de controle.

A gente é o que a gente é.


Hoje até falei na terapia sobre isso.

Tem coisa que a gente evolui e melhora.

E tem coisa que a gente entende e aceita.

E aceitar não é um estado passivo.

Aceitar é fazer as pazes.

Com todos os lados.


No fim parece que eu

me sinto culpada por ser eu mesma,

e fico distribuindo desculpa isso,

desculpa aquilo.


Desculpa nada.

Que a gente consiga se permitir.

Ser.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Um escritório pra chamar de meu

Eu não sei o que eu quero fazer

Começar tudo de novo, de novo